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Fisioterapia no pós-operatório de cirurgia plástica estética

A grande maioria das cirurgias plásticas realizadas pode se beneficiar do tratamento fisioterapêutico no pós-operatório. Haja vista que o trauma cirúrgico sempre irá gerar um processo de reparo (cicatrização).

A fisioterapia pode proporcionar uma recuperação com menos intercorrências, ou seja, maior controle da dor, manutenção das ADMs (amplitude de movimento) e AVD’s (atividades de vida diária), controle do edema (inchaço), entre outros benefícios.

O trabalho desenvolvido pela Fisioterapia Dermatofuncional nessa fase dependerá da cirurgia e do tempo de pós-operatório em que o paciente se encontra. É responsabilidade do fisioterapeuta eleger as técnicas e recursos a serem utilizados de acordo com a fase de recuperação tecidual (tempo de pós-operatório), quer dizer, em cada fase de pós-operatório (inicial, intermediária ou tardia), o profissional elege o tratamento adequado.

É de suma importância que o paciente entenda que pós-operatório de cirurgia plástica não é apenas drenagem linfática manual. A drenagem linfática é uma excelente técnica, no entanto, os tratamentos baseados apenas nela são totalmente incompletos.

Um dos grandes problemas da cirurgia plástica (Lipoaspiração) é a fibrose. Entretanto, essa complicação é totalmente “tratável”, porém, para eliminá-la é necessário desenvolver uma reabilitação pós-operatória adequada (Confira as 08 dicas para o pós-operatório de Lipoaspiração). A drenagem linfática manual é ineficaz para o tratamento de fibrose. Leia mais sobre Fibrose pós-lipo.

Cirurgias que podem ser tratadas pela fisioterapia no pós-operatório.

  • Lifting de Face / Ritidoplastia
  • Bichectomia
  • Blefaroplastia
  • Rinoplastia
  • Otoplastia
  • Após retirada de PMMA (Polimetilmetacrilato)
  • Inclusão de Prótese Mamária ou Redução de Mama
  • Ginecomastia / Lipomastia
  • Lipoaspiração
  • Abdominoplastia / Mini abdominoplastia / Bodylifting
  • Dorsoplastia
  • Lifting de Braços / Braquioplastia
  • Lifting de Coxa
  • Prótese Glútea
  • Prótese de Panturrilha

Quando iniciar o tratamento pós-operatório?

Tudo dependerá do tratamento que será desenvolvido no pós-operatório. O fisioterapeuta que utiliza como base a terapia manual iniciará o tratamento com 48 horas de pós-operatório. Para aqueles pacientes que optaram pelo intraoperatório, os atendimentos pós-operatórios começarão com aproximadamente 07 dias. É importante salientar que iniciar o tratamento no intraoperatório ou 48 horas de pós-operatório objetiva controlar a fase inflamatória e, consequentemente, a fase proliferativa do processo de cicatrização, ou seja, monitorar todo o processo para que o paciente não tenha edema exacerbado e tecido de cicatrização excessivo (fibrose).

Quantas sessões devo realizar?

Como dito na questão acima, o número de sessões (atendimentos) que será realizado depende do tratamento escolhido. Tratamentos pós-operatórios com terapia manual (LTF) podem durar de 03 a 08 atendimentos (em média). Tudo dependerá da cirurgia que foi realizada e a extensão da mesma.

Pós-operatório: estética ou reabilitação?

A cirurgia plástica estética é realizada com a finalidade de obter um melhor contorno corporal e harmonização corporal e facial. Embora seja um procedimento que busca favorecer a estética, ele é alcançado mediante algo invasivo (cirurgia) que desencadeará uma série de respostas para cicatrizar a região submetida à plástica.

A qualidade da cinta/modelador pode interferir no resultado da Cirurgia plástica?

Sim. O modelador é fundamental para a condução do pós-operatório.

Com a cirurgia é criado uma espécie de “espaço” entre os tecidos, porém, com o uso do modelador é possível gerar uma aproximação desses tecidos e, consequentemente, favorecer que a pele volte a “aderir”/ “grudar”. Também pode influenciar na formação de seroma e fibrose.

Se o modelador não tem boa qualidade, a compressão ficará comprometida e o resultado da cirurgia poderá também ser afetado.

O que deve ser considerado na escolha e uso da cinta/modelador pós-cirúrgico?

Existem muitas opções de marcas e modelos, bem como diferentes tecidos. O ideal é adquirir o produto com orientação, principalmente, do fisioterapeuta que lhe acompanhará. Para cada cirurgia existe um modelador que será mais adequado.

Uma tendência que vem sido muito utilizada é o modelador feito com tecido emana®. Não há dúvidas de que ele é extremamente confortável quando comparado ao tecido cetinete, entretanto, na prática clínica é possível observar melhor compressão nos modeladores com tecido cetinete.

Placas de contenção: por que utilizá-las?

As placas de contenção nem sempre são indicadas, no entanto, elas podem auxiliar muito na evolução do pós-operatório, haja vista que elas também irão gerar compressão. Por outro lado, as placas devem ser indicadas corretamente e utilizadas com orientação profissional, já que elas auxiliam na recuperação e no resultado cirúrgico e não, o contrário.

Placas ou Espuma ou toalhas no pós-operatório de lipoaspiração?

Uma dúvida muito comum no pós-operatório: Qual escolher? A escolha deve ser feita de acordo com a cirurgia e as condições clínicas do paciente. Por outro lado, as placas (mais rígidas) evitam que o modelador gere um garrote que pode marcar a pele e, em casos de abdominoplastia, lesionar o umbigo.

Entretanto, elas devem ser usadas sempre com orientação, principalmente, nas cirurgias de abdominoplastias. Se forem utilizadas inadequadamente, poderão comprometer a cicatriz.

Realizei a cirurgia plástica. Devo fazer drenagem linfática manual?

Como já foi mencionado acima, a drenagem linfática manual pode ser utilizada, mas a fisioterapia evoluiu muito e tem muito mais a oferecer além da drenagem linfática manual. Nas cirurgias plásticas, não é só o edema (inchaço) que está presente. Com a cirurgia, há um comprometimento de o todo local onde foi realizado o procedimento.

Com a agressão cirúrgica, via bisturi ou cânula, o sistema linfático estará comprometido e a fibrose estará sendo instalada para cicatrizar a região da cirurgia.

Por isso, é essencial que o fisioterapeuta utilize de recursos que possibilitem que o tecido submetido à cirurgia seja reorganizado (SEM ESTIMULAR), pois assim, com a reorganização tecidual acontecendo, o sistema linfático se regenerará ou encontrará vias alternativas para cumprir o seu papel de captar o líquido em excesso presente.

Ao realizar somente a drenagem linfática, você não estará tratando a causa e sim, a consequência.

Ultrassom deve ser utilizado em fase inicial de pós-operatório?

Em fase inicial de tratamento é contraindicado o uso de equipamentos que estimulem a síntese (produção) de colágeno.

Utilizar recursos como o US nessa fase pode favorecer maior formação de tecido cicatricial (fibrose).

Nos casos de lipoaspiração ou até mesmo em outras cirurgias que gerem um trauma tecidual intenso, o processo de cicatrização já está muito exagerado, ou seja, não deve ser estimulado. Afinal, estimular uma área que já está em intensa cicatrização irá resultar em mais fibroses.

Para otimizar os resultados e não piorar a produção de fibrose, o fisioterapeuta deverá utilizar de recursos que possibilitem conter o processo de proliferação excessiva e permitir que a deposição de colágeno ocorra o mais organizadamente possível.

Assim, a fisioterapia estará permitindo que o pós-operatório evolua, respeitando o processo fisiológico de cicatrização e favorecendo que intercorrências comuns, como as fibroses, sejam minimizadas. Fuja da dobradinha drenagem linfática e ultrassom seja ela no pós-operatório imediato ou no pós-operatório tardio.

A fisioterapia é muito mais que utilizar drenagem e ultrassom.

Infelizmente há muitos profissionais despreparados para trabalhar com pós-operatório e acabam comprometendo o resultado da cirurgia realizada.

Cuidados com as cicatrizes

1. A movimentação excessiva da região da cicatriz é a primeira recomendação. Para que a cicatriz evolua com menor chance de intercorrência os bordos da cicatriz não podem ser afastados.

2. Retirada dos pontos: agende o retorno com o cirurgião plástico para remoção (em casos de pontos externos).

3. Após a retirada dos pontos, alguns profissionais indicam manter o uso do micropore (em média por 30 dias). Entretanto, há outros profissionais que indicam o uso de pomadas. Siga as recomendações dos profissionais que estão lhe atendendo você.

4. A fisioterapia tem um papel importante na evolução das cicatrizes.
Através do tratamento fisioterapêutico, pode-se favorecer o equilíbrio de forças que estão agindo na cicatriz. Em alguns casos, com o uso de bandagens elásticas, é possível aproximar os bordos cicatriciais que estão suscetíveis à deiscência (abertura dos pontos).

5. Nos casos de aderências de cicatriz, o tratamento fisioterapêutico pode devolver a mobilidade que está comprometida com a aderência. Isso vai possibilitar melhora do resultado estético da cicatriz.

6. Proteger a cicatriz de atrito com sutiã. É recomendado evitar o uso de sutiã com aro e costuras que possam gerar atrito na cicatriz.

Qual o tempo de pós-operatório ideal para expor ao sol regiões com cicatrizes?

Durante o processo de cicatrização, as cicatrizes apresentam colorações diversas. As variações de cores nos indicam o tempo de pós-operatório em que o paciente se encontra. Por isso, respeitar o tempo de exposição solar é fundamental para que a cicatriz fique o menos evidente possível.

Os questionamentos com relação à exposição solar são comuns no pós-operatório. Portanto, para evitar possíveis alterações na coloração, o ideal é proteger as cicatrizes até que elas estejam o mais próximo da cor da pele do paciente. Evita-se assim que as cicatrizes fiquem hiperpigmentadas e o resultado final das cicatrizes, comprometido.

Na dúvida, converse com a (o) fisioterapeuta e a(o)cirurgião/dermatologista. Eles informarão o que deve ser seguido de acordo com cada caso especificamente.

Intercorrências e complicações em cirurgia plástica quando é realizado um procedimento cirúrgico, infelizmente, o paciente acaba sendo exposto a possíveis intercorrências e complicações. Por outro lado, o cirurgião plástico e o fisioterapeuta devem realizar todo acompanhamento e orientações pré e pós-cirúrgico, a fim de minimizar e até mesmo evitá-las (quando possível).

A literatura relata algumas intercorrências e complicações. São elas: Seroma, hematoma, deiscência de cicatriz, equimoses, retração cicatricial, cicatriz hipertrófica, cicatriz quelóide, fibrose, trombose venosa profunda (TVP), tromboembolismo pulmonar (TEP) etc.

Sem dúvida alguma, os cirurgiões tomarão todas as condutas para que o procedimento evolua sem intercorrências e/ ou complicações. Mas, caso isso ocorra, é fundamental que a equipe esteja atenta para prestar todo apoio/tratamento para que tudo seja tratado e solucionado o mais rápido possível.

O fisioterapeuta é o profissional que acompanhará de perto toda a evolução do pós-operatório e deve ter a responsabilidade de identificar e comunicar o cirurgião plástico para que o mesmo possa prestar todas as orientações e/ou tratamento.

Check List do pós-operatório

 

1. Respire! Não se desespere. Tudo passa!

2. Você acabou de ser operado e o que você está visualizando não é o resultado final;

3. Inicie a fisioterapia o mais rápido possível;

4. Invista em um tratamento de reabilitação pós-operatório. Procure um fisioterapeuta com experiência em cirurgia plástica;

5. Nesse momento é necessário ser PACIENTE;

6. Evite movimentações excessivas;

7. Siga as orientações dos profissionais (médico/fisioterapeuta/enfermeiro) que o acompanham;

8. Informe qualquer situação anormal à equipe médica;

9. Siga as orientações para o cuidado com as cicatrizes;

10. Evite cigarro e bebidas alcóolicas até a liberação médica;

11. Durante o período de pós-operatório inicial, se faz necessária a abstenção sexual;

12. A atividade física deve ser suspensa (em média) por 30 dias. Consulte seu médico e o seu fisioterapeuta;

13. O uso da cinta/modelado pós- cirúrgico é parte do tratamento. Não suspenda o uso sem orientação médica e/ou fisioterapêutica;

14. Realize os ajustes da cinta/modelador de acordo com orientação médica e/ou fisioterapeuta;

15. Em algumas cirurgias, é indicado o uso de placas de contenção. Não suspenda o uso sem orientação médica e/ou fisioterapêutica;

16. Não insista em tratamentos que não estejam dando resultado;

17. Beba bastante líquido;

18. O pós-operatório bem realizado significa o sucesso da cirurgia;

19. As realizações dos itens acima são fundamentais para alcançar o resultado desejado com a cirurgia;

20. Atenção: Cirurgia plástica VICIA, mas, se bem indicada, proporciona resultados incríveis.


Dra. Marcieli Martins

Especialista em Fisioterapia Dermatofuncional

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