Marcieli Logo

Tratamento

Tratamento de fibrose e aderência de cicatriz

Fibrose tem tratamento!

A fibrose é a mais comum intercorrência no pós-operatório de cirurgia plástica (especificamente após a lipoaspiração) e uma das principais causas de insatisfação com resultado cirúrgico. Além disso, restringe a mobilidade (movimentos) do paciente e causa dor. Mas, ela é considerada “normal”, pois é resultado da agressão (trauma) causada no local da cirurgia (principalmente após lipoaspiração).

Sendo assim, só resta aos profissionais que atuam em pós-operatório aprimorar seus tratamentos, disponibilizando aos seus pacientes tratamentos adequados.
Toda fibrose tem tratamento, independentemente do tempo em que ela se encontre. Para ter sucesso com o tratamento, o profissional precisa avaliar criteriosamente cada caso, elegendo recursos que possibilitem o sucesso do tratamento.

Uma das melhores técnicas disponíveis atualmente é a LTF (Liberação Tecidual Funcional).

É importante frisar que a responsabilidade pela reabilitação funcional e estética deve ser do fisioterapeuta, profissional que tem total competência para avaliar e desenvolver um plano de tratamento adequado para cada paciente.

Todo tratamento pode e deve ser discutido com o cirurgião plástico para que trabalhem pelo sucesso da cirurgia plástica e pela recuperação do paciente. O sucesso da cirurgia não depende apenas do procedimento cirúrgico, mas também de como o pós-operatório será conduzido.

A relação cirurgião (a) x fisioterapeuta é de extrema importância para garantir que a expectativa do paciente seja alcançada. Juntos podem aliar forças para que o resultado estético seja atingido, proporcionando qualidade de vida no pós-operatório imediato e satisfação do paciente.

O que é fibrose?

A fibrose é uma resposta do organismo ao trauma gerado por uma agressão cirúrgica, ou seja, é a cicatrização da área submetida ao procedimento cirúrgico. Quanto maior a lesão/trauma, maior será a formação tecido cicatricial (fibrose).

Ela faz parte do processo de cicatrização, mas não deve ser considerada o resultado final do processo. Nos casos de lipoaspiração, a fibrose é instalada no tecido subcutâneo (local onde foi retirada a gordura).

Após “sofrer” um trauma (cirurgia), o organismo inicia um processo de reparo para cicatrizar a região em que a cirurgia foi realizada e restabelecer todas funções dos tecidos envolvidos.

O reparo tecidual (cicatrização) é constituído por várias fases (hemorrágica, inflamatória, proliferativa, remodelamento e maturação) e envolve uma série de eventos bioquímicos.

Embora as fases de cicatrização sejam descritas e nomeadas, elas não acontecem isoladamente. Todas essas fases se sobrepõem para que o processo aconteça. Entender como funciona a fisiologia do reparo tecidual normal e a fisiologia do reparo tecidual exacerbado será determinante para o êxito do tratamento.

É importante salientar que após um trauma exacerbado (como é o caso da cirurgia de lipoaspiração), o reparo tecidual é marcado por uma série de eventos que resultará na presença de tecido cicatricial em excesso e desorganizado. Assim, será gerado um tecido com pouca ou nenhuma mobilidade, o que implicará no resultado estético e funcional.

Fonte: Mariane Altomare.

Com isso bem definido, é mais fácil compreender a importância de não se gerar um estímulo de colágeno ao tratar fibrose, pois na região já há produção de colágeno em excesso. Estimular esse processo só agravará o quadro de fibrose que está sendo instalado.

A presença de fibrose é esperada e sinaliza que o organismo do paciente está em pleno funcionamento. Para que ela não cause transtorno ao paciente no pós-operatório, tanto do ponto de vista estético quanto funcional, esse processo de reparo (cicatrização) deve ser conduzido pelo fisioterapeuta para que tudo ocorra da maneira mais “natural e organizada” possível. Assim, o resultado estético almejado será alcançado e a funcionalidade não será comprometida.

Características da fibrose

A fibrose é caracterizada por tecido de cicatrização em excesso e diminuição da mobilidade da pele. Normalmente, ela é percebida quando a pele começa a apresentar áreas endurecidas e/ou quando o paciente tem a sensação de que está tudo repuxando.

Muitos pacientes com irregularidades no abdômen buscam tratamentos. Há casos em que a irregularidade é gerada por pontos de aderência e, com o tratamento, é possível melhorar o aspecto desse tecido.

Entretanto, há algumas situações em que a irregularidade não é causada por fibrose (tecido cicatricial em excesso) ou aderência (pontos de adesão do tecido), mas, sim, por irregularidade na lipoaspiração.

Infelizmente, há cirurgiões que realizam uma retirada de gordura de forma irregular e, quando isso ocorre, o tratamento fisioterapêutico não mostra resultados positivos. Nesses casos, somente um novo procedimento cirúrgico pode proporcionar um efeito satisfatório.

Vale lembrar que, se o paciente optar por um novo procedimento, obrigatoriamente, ele terá que fazer um tratamento fisioterapêutico pós-operatório para minimizar intercorrências e complicações e, assim, favorecer o desfecho almejado.

Como evitar fibrose?

A fibrose, por ser uma resposta fisiológica, não pode ser evitada. Em contrapartida, ela pode ser minimizada. Todo o processo de formação da fibrose pode ser conduzido de forma que não gere um tecido inestético e não funcional.

Por meio da terapia manual, a fisioterapia mantém a amplitude de movimento, evitando assim, perda de função. Ela minimiza a dor e colabora com o resultado estético da cirurgia.
O tratamento fisioterapêutico deve ter como objetivo inicial a prevenção da deposição de colágeno em excesso, ou seja, controle do ambiente mecanobiológico.

Quando o paciente recorre ao tratamento com a fibrose já instalada, cabe ao fisioterapeuta eleger recursos que possibilitem a resolução da fibrose. Em fase inicial, é fundamental que os recursos não gerem estímulos para favorecer a cicatrização porque essa já está em excesso.

A melhor maneira de evitar fibrose é (by Marcieli Martins):

1. Escolher um fisioterapeuta que tenha conhecimento/domínio de atuação em cirurgia plástica/ vascular/ fibrose.

2. Seguir todas as orientações do fisioterapeuta;

3. Usar o modelador indicado para cirurgia realizada e mantê-lo justo (fazer os ajustes sempre que necessário);

4. Usar as placas de contenção;

5. Não fazer tratamentos agressivos que gerem “traumas” no tecido;

6. Evitar fazer apenas drenagem linfática manual;

7. Evitar uso de equipamentos de eletroterapia (US, radiofrequência, carboxiterapia, endermologia);

8. Respeitar as amplitudes de movimento sugeridas pelo fisioterapeuta;

9. Confiar no profissional que estudou para promover REABILITAÇÃO: o FISIOTERAPEUTA.

Mitos no tratamento de fibrose

– Drenagem linfática manual trata fibrose;

– A “drenagem” precisa ser feita diariamente;

– Quanto mais agressivo o tratamento, mais efetivo ele é;

– A fibrose vai sair com o tempo;

– O médico usou a cânula muito grossa, por isso, estou com fibrose;

– O tratamento tem que doer para resolver;

– Placas de contenção geram fibrose;

– Usar US (ultrassom) evita fibrose;

– Pomada/creme para tratar fibrose;

– Fibroses antigas não podem ser tratadas;

– Realizar uma nova lipoaspiração eliminará a fibrose anterior;

– A fibrose tem que ser “quebrada”.

Fibrose causa dor?

Alguns pacientes acabam recorrendo ao tratamento fisioterapêutico pela presença de dor e não pela estética, embora, em casos mais graves, a fibrose se apresente comprometendo todo o resultado da cirurgia. Ressalta-se que muitos pacientes têm dor, mas sequer imaginam que isso pode ter relação com presença de fibrose.

Há também situações em que o paciente tem fibrose, não tem dor e o resultado cirúrgico está totalmente comprometido. Ou seja, a fibrose quando gera dor ou compromete o resultado estético deve ser tratada.

Por isso, a avaliação fisioterapêutica é de extrema relevância para o tratamento. O paciente precisa entender como funciona todo o processo desde a formação da fibrose até a reorganização tecidual.

Tratar fibrose exige comprometimento do fisioterapeuta, do paciente e do cirurgião.

O fisioterapeuta deve oferecer o que há de melhor para solucionar e/ou amenizar a condição do paciente e só tratá-lo quando estiver seguro de que pode ajudar e não atrapalhar ainda mais o processo. Nunca prometa o que não se pode cumprir.

O paciente deve seguir todas as orientações do fisioterapeuta que está realizando o tratamento. Ele é o profissional que estudou para executar o tratamento pós-operatório.

O fisioterapeuta deve manter um bom relacionamento com o cirurgião plástico e o contrário também deve acontecer. Aos cirurgiões que desconhecem os novos (e efetivos) tratamentos para fibrose, primeiramente, busquem conhecer e esclarecer com o fisioterapeuta mais informações sobre o tratamento que está sendo realizado.

Infelizmente, alguns médicos acabam, erroneamente, passando informações equivocadas aos pacientes, colocando em xeque a conduta do fisioterapeuta. O objetivo da fisioterapia é auxiliar no resultado do procedimento cirúrgico. Juntos, o fisioterapeuta e o cirurgião podem e devem trabalhar para o sucesso da cirurgia.

Fibrose antiga tem tratamento?

Toda fibrose tem tratamento independentemente do tempo em que ela se encontra. Entretanto, se faz necessário diagnosticar corretamente. Alguns pacientes acreditam que tem fibrose, mas apresentam apenas irregularidades do subcutâneo. Nesse caso, essas irregularidades não são tratadas pela fisioterapia.

Fibrose: Como eliminar?

O tratamento mais efetivo para fibrose é aquele que faz nenhum estímulo de colágeno, ou seja, o profissional tem que se cercar de recursos que possibilitem uma reorganização tecidual com a não estimulação do processo. Se estimular a fibrose, ela se tornará ainda mais grave e mais inestética.

O tratamento de fibrose devolve a função a nível tecidual (pele) e consequentemente, restabelece a mobilidade (movimento) global. Com as funções restabelecidas, o profissional conduzirá o tratamento para que o comprometimento estético (que na maioria das vezes está presente) seja amenizado e/ou solucionado.

Com os avanços da fisioterapia, hoje já é possível tratar fibrose sem o paciente ser submetido a uma sessão de “tortura”. Desenvolver o tratamento de fibrose é permitir que todas as estruturas (pele, subcutâneo, músculo, fáscia, articulação etc.) estejam em equilíbrio.

O tratamento fisioterapêutico não deve contemplar somente a região em que a fibrose está localizada, pois para desenvolver tratamentos efetivos é necessário ver o paciente como um todo. Só assim, o resultado esperado será alcançado.

Qual o melhor tratamento para fibrose?

O melhor tratamento para fibrose, seja ela pós-lipoaspiração ou não, é jamais estimulá-la, ou seja, evitar tratamentos que sejam agressivos (presença de dor, realizado de forma intensa e muito frequente). Se você conseguir seguir essa orientação, já será um bom começo.

Com 8 anos de experiência, posso garantir que o melhor tratamento para fibrose é a LTF – LIBERAÇÃO TECIDUAL FUNCIONAL (técnica de terapia manual).

Quanto tempo dura o tratamento para fibrose?

Somente após a consulta é que será possível informar o paciente quantos atendimentos serão necessários para o tratamento da fibrose. Em alguns casos, em um único atendimento a fibrose é resolvida. Em outros, não.

Tudo dependerá das áreas acometidas e do grau que essa fibrose se encontra. Pacientes que já foram submetidos a vários tratamentos agressivos são mais difíceis de serem tratados. Por isso, são submetidos a um número maior de atendimentos.

O que é terapia manual?

A terapia manual é uma área da fisioterapia que utiliza várias técnicas em benefício do tratamento do paciente. Mulligan, Maitland, Osteopatia, Quiropraxia, Cadeias Musculares, entre outras, são técnicas/conceitos de terapia manual que podem ser aplicadas pelo fisioterapeuta para avaliar e tratar pacientes.

Quais os benefícios do tratamento para fibrose com terapia manual?

O tratamento com terapia manual, se bem desenvolvido, diminui a chance de estímulo de colágeno e permite que todas as estruturas (pele, subcutâneo, fáscias, músculos, articulações) sejam tratadas. Quando há equilíbrio de todas essas estruturas, intercorrências e complicações podem ser reduzidas a zero e o paciente ter um tratamento rápido e efetivo.

Devo usar aparelhos para tratar fibrose?

Embora o uso de aparelhos para tratar fibrose seja amplamente utilizado e defendido por muitos profissionais, os estudos têm mostrado a importância de não se gerar estímulo da produção de colágeno ao tratar fibrose. O uso de Ultrassom, Radiofrequência, Carboxiterapia, entre outros, por menor que seja, estimula os fibroblastos (colágeno). Sendo assim, mesmo produzindo calor e “amolecendo” o tecido inicialmente, os resultados demoram muito para ocorrer.

Por isso, a terapia manual é mais efetiva e permite resultados com número muito reduzido de atendimentos (quando comparado ao uso de eletroterapia). Na hora de tratar fibrose, pesquise e questione o profissional. Realizou 1, 2 atendimentos? Não teve resultado? Fique alerta! Com a terapia manual os resultados já aparecem com apenas 1 atendimento.

Quais cirurgias causam fibrose?

Todas as cirurgias que geram algum tipo de lesão/trauma/dano tecidual, desencadearão o processo de cicatrização que levará à fibrose e/ou aderência/retração de cicatriz.

Drenagem linfática trata fibrose?

A drenagem linfática é ainda a técnica mais utilizada no pós-operatório de cirurgia plástica. Por outro lado, mais frequente ainda, são os pacientes que comparecem ao consultório em busca de tratamento efetivo para fibrose, pois já realizaram 10, 20, 30 sessões de drenagem linfática manual e as fibroses persistem.

Ser a técnica mais conhecida não significa ser a mais efetiva. A fisioterapia evoluiu muito, novos estudos e novos tratamentos foram adaptados/desenvolvidos para favorecer a reabilitação do paciente após a cirurgia plástica.

Já existem artigos científicos que mostram que a fibrose atrapalha a regeneração linfática, ou seja, fazer drenagem linfática em uma região de fibrose não faz sentido porque o sistema linfático também está comprometido.

É imprescindível reorganizar o tecido de cicatrização para que haja a regeneração linfática e, por conseguinte, a drenagem linfática (fisiológica) aconteça, caso contrário, o tratamento terá resultados pouco ou nada satisfatórios.

Profissionais que desenvolvem tratamentos baseados apenas em drenagem linfática manual ou ainda a dobradinha (drenagem e ultrassom), oferecem aos seus pacientes tratamento limitado e pouco efetivo.

Investir no tratamento pós-operatório é tão importante quanto a escolha do cirurgião plástico. Sem dúvida, o resultado cirúrgico corresponderá com as expectativas iniciais mencionadas na consulta com o cirurgião plástico.

A fisioterapia dermatofuncional tem muito mais a oferecer. Aos pacientes, sugiro que sejam criteriosos na escolha do fisioterapeuta que realizará o processo de reabilitação. O resultado que você deseja dependerá de um pós-operatório coerente e bem desenvolvido. Não coloque todo investimento feito na cirurgia a perder devido a um pós-operatório mal executado.

Posso realizar tratamentos estéticos após tratar fibrose?

Os tratamentos estéticos só devem ser retomados em média 30, 60 dias após finalizar o tratamento de fibrose. Tendo em vista que muitos tratamentos estéticos estimulam colágeno, não devem ser realizados enquanto a fibrose não estiver reorganizada.


Dra. Marcieli Martins

Especialista em Fisioterapia Dermatofuncional

  • Compartilhe: